Não tenho dúvida da afirmação acima, visto que em países que conseguiram melhores protocolos que nós no Brasil, como o Japão, já voltaram (infelizmente copiamos os modelos Europeu e Americano que também são fracos, haja visto que nestes, temos mais de 1200 mortes devido à Covid-19 por milhão e no Japão, como aliás, é o caso da Austrália e vários outros países asiáticos, menos de 5% deste número comparativo. Voltarei as razões destes fatos).

Tenho participado de várias lives e debates com participantes do mundo inteiro através de Associações Internacionais da área de eventos das quais faço parte, e é unanime a conclusão de que os eventos virtuais não conseguem trazer os resultados dos eventos presenciais no que tange a networking e número de negócios realizados ou iniciados durante os eventos.

Em outras palavras, existe a necessidade dos eventos presenciais para ganharmos eficácia nos nossos negócios e não encontramos uma outra forma que tenha a mesma eficácia e com a qual poderíamos substituí-los.

Hoje em dia já temos o domínio de eventos híbridos e já existem inúmeros relatórios no mundo e no Brasil, mais especificamente em São Paulo, de grandes Convenções de vendas e outros tipos de eventos realizados com sucesso neste modelo. Constato também nas conversas com o resto do mundo que o híbrido veio para ficar, uma vez que ele agrega por um custo não mais tão considerável e a possibilidade de adicionar muitos participantes que, por questões orçamentárias, não teriam condições de participar presencialmente.

Certamente o fato de termos melhorado os protocolos para convivermos com o vírus, reduz o medo e aumenta a coragem para se participar de um evento (falo disso no caso da nossa vida cotidiana. No setor de eventos B2B em particular, existem protocolos mais que adequados desde o 1º momento, mas como a população tinha e ainda tem medo, ela não vive livremente e a palavra “evento” ainda remete a aglomerações com estranhos, que não é o que temos visto nos eventos atualmente).

O advento da vacinação também traz datas a partir das quais os grupos de risco estarão vacinados e, portanto, já podemos começar a agendar um retorno à vida normal e aos eventos. Isto já está ocorrendo e o número de anúncios de eventos irá crescer daqui até o final do ano.

Escrevo este texto de Paris, a Cidade Luz, que é a mais visitada da Europa e a campeã em número de eventos realizados anualmente. Era…está vazia…alguns hotéis abertos, mas sem demanda, restaurantes e bares fechados, ZERO eventos, toque de recolher a partir das 18 horas da noite, restrições, isolamento muito superior a São Paulo e ainda continuam com mais mortes por milhão do que o próprio Brasil.

Atualmente morrem por dia na França por Covid-19 quase 50% do número de óbitos no Brasil, mas a França tem menos de 30% da população. Será que este isolamento tão severo está funcionando?

Tenho um querido amigo que foi o 2º homem na Organização Mundial de Saúde e lhe perguntei certa vez “se eu pudesse escolher em que país deveria estar caso ficasse doente, qual você me recomendaria? E a resposta veio rapidamente…na França! É o país que possui os hospitais mais bem equipados do mundo”, algo estranho…

Aqui na França como no Brasil, a epidemia e a “falta de eficácia” na sua condução pelo Governo, também viraram questões políticas e aqui também se colocam todas as fichas na espera pela vacina. Por que no Japão e em outros países asiáticos não? A resposta é bem simples, eles já conhecem as pandemias a mais tempo e sabem conviver com elas. Há muitos anos é comum ver um asiático usando máscara nos aeroportos e eu sempre pensava “espero que aquela pessoa não esteja sentada ao meu lado no avião, deve estar doente”. Hoje eu sei que aquela pessoa não estava doente, na realidade ela não queria ficar doente e por isso usava máscara quando estava em lugares fechados com grande número de pessoas. Prática que é provável que venhamos a incorporar na vida pós Covid-19, como protocolos que passaram a fazer parte do nosso dia a dia como foi por acaso, porque não dizer, em função do HIV.

Acredito que retomaremos a vida “normal” mais preparados do que estávamos para lidar com outras pandemias. Acredito sim que virão outras, mas precisamos nos conscientizar que não dá mais para não estar preparado para a 1ª onda, não estar preparado para a 2ª. Isto tem de ter sim um fim.

Temos de nos preparar e CONVIVER COM O VÍRUS! Não deixei de trabalhar presencialmente nenhum dia devido ao advento do coronavírus, viajei de avião internacionalmente, frequentei restaurantes, hotéis, eventos, academia de ginástica e não peguei Covid-19 até hoje. Certo que não chego próximo de outras pessoas, uso sempre álcool em gel ao tocar em algo fora da minha casa, uso máscara.

Os nossos dirigentes públicos erraram, todos eles e eles não gostam de admitir, mas devo dizer que participando do Grupo de Retomada Econômica do Estado de São Paulo em reuniões semanais, onde nos era atualizado o racional e pelo qual o Estado tomava as decisões para combater a Covid-19, e com as informações que eles tinham, eu teria tomado exatamente as mesmas decisões.

O modelo de referência era a Europa, teria sido muito diferente se fossem os países asiáticos. Quais foram as grandes diferenças?

  • Eles fecharam as fronteiras rapidamente, qualquer um que chegasse ao país ficava isolado num hotel por 14 dias e só saia com um teste negativo de COVID-19.
  • Qualquer cidadão que tinha sintomas de COVID-19 era isolado em um hotel ou se disponível, hospital e só saia de lá com exame negativo ou no início, quando não havia tantos testes ainda, após 14 dias.

Essas duas medidas não foram implementadas na maioria dos países europeus nem no Brasil. Estas medidas asfixiaram o vírus logo no início reduzindo muito o número de infectados (está hoje comprovado que o maior número de infectados se deu por um membro da família infectando os demais em casa).

Acredito que devemos copiar este modelo e que nossas autoridades devam estudar estes exemplos em detalhes e estar prontas para aplicá-los, se possível desde já (até dezembro ainda não era exigido que viajantes chegando ao Brasil do exterior tivessem em mãos um teste negativo de Covid-19 feito nas últimas 72 horas. Isto já era prática em todo mundo, embora em vários ainda assim tinham a descrita quarentena).

Um outro padrão que escuto ser unanime no mundo inteiro é que o home office veio para ficar e que muitas pessoas frequentarão o escritório presencialmente um ou dois dias por semana, o que aumentará a qualidade de vida e reduzirá custos operacionais em muitos casos. Ao mesmo tempo, também aumentará e muito a necessidade de quando pudermos, conviver cara a cara com pessoas. Ou seja, teremos cada vez mais a necessidade de um evento presencial.

Eu estou querendo muito participar…você me convida para o seu?